Custódia comunitária
Custódia comunitária

19 de agosto de 2026

Custódia comunitária: uma maneira de guardar bitcoins sem ter que arcar sozinho com todo o risco

Fedi

Fedi

Desde que muitos usuários de Bitcoin se lembram, a autocustódia sempre foi vista como o ideal: você guarda suas próprias chaves, e nenhuma empresa ou outra pessoa pode congelar, perder ou usar seu dinheiro de forma indevida.

Mas guardar suas próprias chaves significa assumir todo o risco sozinho. Basta perder uma frase-semente (uma lista aleatória de 12 a 24 palavras usada para criar a chave privada de uma carteira de Bitcoin), ter um dispositivo comprometido ou cometer um erro para perder o acesso aos seus bitcoins para sempre.

Na cabeça da maioria das pessoas, a alternativa à custódia própria é deixar seus bitcoins em uma corretora. No entanto, ao fazer isso, você está confiando que a corretora não vai congelar sua conta, ser hackeada ou falir com seu dinheiro ainda sob sua custódia. E como abrir uma conta em uma corretora significa fornecer suas informações pessoais, uma violação desses dados pode colocar seus fundos e sua privacidade em risco também.

Em outras palavras, confiar seus bitcoins a terceiros também pode te deixar vulnerável.

As carteiras Fedi são baseadas em uma forma diferente de guardar seus bitcoins: a custódia comunitária.

A custódia comunitária consiste em um pequeno grupo de pessoas de confiança, que a gente aqui na Fedi chama de “Guardiões”, que criam e cuidam de uma carteira de bitcoins compartilhada — ou“multisig”— para a comunidade.

Embora a custódia comunitária traga suas próprias vantagens e desvantagens, uma das principais vantagens é que nenhuma pessoa em particular e nenhuma empresa externa pode acessar ou controlar os bitcoins que estão sob a custódia da comunidade.

Neste artigo, apresentamos uma visão geral de como funciona a custódia comunitária e a comparamos com outros métodos de gerenciamento das chaves do seu bitcoin. Também compartilhamos informações sobre como a Fedi permite que equipes gerenciem coletivamente os fundos de um grupo ou organização por meio do recurso Multispend. 


Suas opções para guardar bitcoins 

Com o bitcoin, quem tem as chaves controla o dinheiro.

A tabela abaixo mostra quatro versões diferentes de como isso fica.  


Como funciona a custódia comunitária 

A custódia comunitária é como um cofre compartilhado, cuidado por pessoas em quem você confia.

Esse grupo pode ser sua família, um clube de poupança, sua comunidade ou sua igreja. Alguns membros de confiança se tornam os Guardiões e, juntos, formam o que chamamos de Federação, que também conhecemos como “serviço de carteira”, “carteira federada” ou “cofre”.

Uma Federação é criada quando pelo menos quatro Guardiões operam um nó Fedimint em um dispositivo, como um laptop ou um servidor Umbrel ou Start9. Ao fazer isso, os Guardiões configuram uma carteira de bitcoin com assinatura múltipla (multisig) — que é uma carteira que exige várias chaves para assinar transações — e, ao mesmo tempo, ativam um ecash mint. O ecash ajuda os usuários a manter a privacidade das suas transações.

Os sats que você depositar na Federação podem ser retirados a qualquer momento, seja pela Lightning Network ou pela cadeia principal do Bitcoin. Em outras palavras, você pode sacar seus bitcoins da Federação e transferi-los para sua própria carteira Lightning ou para sua carteira de Bitcoin na cadeia principal, quando e se quiser.

A regra principal de uma federação é que nenhum Guardião sozinho consegue abrir o cofre. Para transferir dinheiro, é preciso que mais de dois terços dos Guardiões concordem com a transferência. Não existe um único dispositivo, uma única frase-semente ou uma única pessoa cuja falha, erro ou ação indevida possa esvaziar os fundos da carteira. É por isso que toda federação é administrada por pelo menos quatro Guardiões.

Dividir as responsabilidades do guardião distribui o risco e elimina o ponto único de falha que surge quando você mantém seus bitcoins sob sua própria custódia ou os deixa em uma bolsa. 

Outra vantagem de se associar a uma federação é que não é preciso fornecer seu nome, endereço ou outras informações de identificação. Como essas informações nem sequer são coletadas, não há nada que possa vazar e, posteriormente, ser rastreado até você — um risco de roubo e de segurança que tem surgido tanto para as corretoras quanto para os fornecedores de carteiras de hardware nos últimos meses. 


Custódia própria x Custódia comunitária

A custódia própria coloca toda a responsabilidade nas suas mãos — e essa é uma responsabilidade que nem todo mundo quer ou consegue assumir. A segurança do seu bitcoin depende de uma única pessoa nunca perder a frase-semente, nunca ter um dispositivo comprometido e nunca cometer um erro. É pedir demais, principalmente quando não há nenhuma rede de segurança.

Além disso, você abre mão de um pouco de privacidade ao usar uma carteira de hardware: quando você compra uma pela internet, precisa fornecer alguma combinação do seu nome, endereço, número de telefone e e-mail, e esses dados podem vazar. 

A custódia comunitária mantém a promessa fundamental da autocustódia — nenhuma empresa controla seu dinheiro —, mas elimina o ponto único de falha. Em vez de uma única pessoa guardar um segredo, o controle é dividido entre vários Guardiões, cada um com uma chave. 

Como em todas as discussões sobre custódia, é preciso ser justo em relação aos riscos. No caso das Federações, você está confiando que os Guardiões não vão agir em conluio para se apropriar dos fundos da Federação. Você também está confiando que os Guardiões vão:

  1. não percam suas frases-semente, cada uma das quais compõe uma das chaves da carteira multisig da Federação, e 

  2. não emitir mais ecash do que o valor em bitcoins que a Federação detém e manter seus nós online. Se um certo número de nós de uma Federação ficar offline (esse número varia de acordo com o número de Guardiões na Federação), os fundos dentro da Federação ficam congelados até que os nós voltem a ficar online.

Além disso, há o risco que abrange todos os tipos de software e hardware de carteira. Não importa se você guarda seus bitcoins por conta própria, os mantém em uma exchange ou usa uma Federação: você está contando com a segurança do software subjacente. O recente problema com o Coldcard, em que o firmware do dispositivo gerou entropia insuficiente para a chave privada, é um exemplo disso. A atualização urgente recente do BitBox é outro. 


Quando a custódia comunitária é melhor do que a custódia individual?

Pensa nas pessoas na tua vida que nunca vão anotar as doze palavras secretas (a frase-semente) e mantê-las em segurança pelo resto da vida. Pensa também nas pessoas que não saberiam o que fazer numa emergência, que entrariam em pânico e poderiam acabar perdendo seu dinheiro por causa de um deslize. 

Essas pessoas costumam manter seus bitcoins em uma corretora ou nem sequer mexem em bitcoins.

A custódia comunitária vai ao encontro dessas necessidades. A parte técnica da autocustódia fica a cargo dos Guardiões, enquanto os outros usuários da Federação se beneficiam do trabalho deles sem precisar desenvolver habilidades técnicas específicas. Com o tempo, esperamos que eles adquiram os ativos e a confiança necessários para praticar a autocustódia com segurança, mas a custódia comunitária permite que eles mantenham seus ativos de forma multi-signatura, preservando a privacidade, desde o primeiro dia. 


Multispend: Controle compartilhado sobre o dinheiro em comum

A custódia comunitária elimina o ponto único de falha em toda a Federação. Ela também possibilita um dos recursos mais exclusivos e notáveis da Fedi: o Multispend.˚

O Multispend permite que um grupo gerencie fundos compartilhados. Pensa nisso como uma carteira coletiva na qual os membros podem fazer depósitos, solicitar saques e ver todas as transações. 

Com o Multispend, ninguém controla o dinheiro sozinho. Para fazer um gasto, é preciso que um número determinado de membros vote a favor de um pedido de saque, com base em um limite que o grupo define na hora da criação. 

Como o controle é compartilhado, o Multispend faz mais sentido num modelo de custódia comunitária, ao mesmo tempo em que oferece recursos que uma frase-semente isolada nunca poderia oferecer. 

O Multispend também funciona com o Stable Balance de um grupo (um saldo em bitcoin atrelado a um valor fixo em moeda fiduciária). 


O que você precisa saber sobre a custódia de bitcoins

Quando se trata de guardar bitcoins, tem uma pergunta importante que precisa ser feita: quem guarda as chaves?

Se você mesmo cuidar deles, vai arcar com todo o risco.

Se você passar isso para uma empresa, acaba assumindo os riscos dela.

Guarde-os em custódia comunitária, e o controle fica dividido entre pessoas em quem você confia; assim, não há risco de falha isolada e nenhuma pessoa ou empresa sozinha pode ficar com o seu dinheiro.

A custódia comunitária não vai substituir a custódia individual para todo mundo, mas, para muitas pessoas, ela oferece a mesma segurança com muito menos risco de cometer um único erro fatal.