22 de julho de 2026
Em destaque: O Bitcoin Learning Center em Chiang Mai, Tailândia — Parte II de III
Em Parte I desta série sobre o Bitcoin Learning Center, a gente contou como os cofundadores do centro, Fai e Jimmy Kostro, se conheceram e decidiram abrir o centro. Nesta parte, vamos ver como o centro foi criado e o que ele oferece.
O Bitcoin Learning Center, um prédio de quatro andares, ergue-se imponente e cheio de vida perto do centro de Chiang Mai.
O interior do prédio tem um acabamento contemporâneo, e as várias janelas do prédio deixam entrar bastante luz natural no espaço.

Kostro, perto de algumas das janelas do Bitcoin Learning Center | Foto cortesia do Bitcoin Chiang Mai
A fachada do prédio mantém um visual mais clássico. A sensação geral do espaço é de elegância e naturalidade — é aberto, acolhedor e despojado.
Mas, pelo que o Kostro contou, o prédio de 40 anos, que foi um presente do pai da Fai para ela e para o Kostro, estava bem diferente quando vocês assumiram o controle dele há quatro anos.
“É um prédio antigo e, quando o pai do Fai nos deu, tinha árvores crescendo lá dentro e os tetos tinham só uns seis pés de altura”, explicou Kostro. “Precisava de uma reforma geral.”
Kostro gastou mais de US$ 40.000 dos lucros do seu negócio nos EUA nesse projeto, tanto antes quanto durante o primeiro ano de operações.
Apesar dos custos envolvidos na reforma e na manutenção do local, Fai e Kostro nunca cobraram nada de quem frequenta o centro.
“Não queremos ter uma relação meramente comercial com os membros da nossa comunidade”, explicou Kostro. “Só queremos ajudá-los a aprender. Nem sequer cobramos taxa pelo caixa eletrônico de Bitcoin que temos aqui.”
Desde a inauguração das instalações, a Fundação dos Direitos Humanos concedeu ao centro uma doação para ajudar a cobrir uma pequena parte dos custos, mas Fai e Kostro ainda arcam com a maior parte das despesas operacionais e da folha de pagamento, que podem chegar a cerca de US$ 200.000 por ano.
Quando perguntei ao Kostro por que ele gastaria tanto por ano nesse projeto, ele respondeu com uma resposta simples, mas marcante: “Achamos que esse é o melhor jeito de usar nosso bitcoin.”
Como funciona o Centro de Aprendizagem do Bitcoin
O Bitcoin Learning Center é o braço educacional do Bitcoin Chiang Mai, um projeto que faz parte da Fundação Kostro, uma organização sem fins lucrativos que o Kostro criou para ajudar jovens em situação de vulnerabilidade.
De acordo com o site da fundação, ela começou oferecendo professores de inglês em meio período para quatro lares infantis (ou seja, orfanatos) em Chiang Mai. Um desses orfanatos foi aquele para onde Fai levou Kostro logo depois que vocês se conheceram.
Hoje, a fundação está mais voltada para iniciativas relacionadas ao Bitcoin por meio do Bitcoin Chiang Mai, muitas das quais são realizadas a partir do centro.
A equipe
Fai é o diretor do centro, enquanto os outros seis membros da equipe incluem um gerente de operações locais, um gerente de operações internacionais, um gerente de eventos e comunicação, um editor sênior de vídeo e líder de publicação, um chefe de mídia criativa e um arquiteto de infraestrutura de IA.
Os membros da equipe ganham salários competitivos, o que faz sentido, já que todos são bilíngues e se formaram na faculdade com honras.
A Fai escolhe a dedo os membros da equipe das turmas que ela dá no International College, da Universidade Rajabhati de Chiang Mai.
“Ofereço vagas aos melhores alunos do meu quarto ano da faculdade de administração”, disse Fai.
Se/quando os alunos aceitassem, Fai e Kostro faziam com que eles estudassem Bitcoin pela Plan B Academy e pela Saylor University.
Eles costumam pegar o jeito rapidinho, segundo o Fai.
E eles precisam se adaptar rapidinho, porque tem muita coisa rolando no Bitcoin Learning Center.
Programação e Mídia no Bitcoin Learning Center
O Bitcoin Learning Center não só organiza eventos presenciais com frequência, como também produz conteúdo que recebe mais de 100 mil visualizações por mês.
A programação presencial inclui encontros semanais sobre Bitcoin, workshops e seminários em tailandês para o público local e sessões do BitDevs. A organização também promove eventos internacionais — geralmente em inglês — com a participação de figuras de destaque do mundo do Bitcoin.

Alex Gladstein, da Human Right Foundation CSO; Anaïse Kanimba, integrante da equipe da Fedi e cofundadora do Africa Bitcoin Institute; e Leopoldo López, líder da oposição venezuelana, falam em um evento internacional no Bitcoin Learning Center | Foto cortesia do Bitcoin Chiang Mai
Todos os eventos no centro são exclusivamente em tailandês ou exclusivamente em inglês, nunca nos dois idiomas.
“Não queremos misturar idiomas, porque não queremos que as pessoas fiquem com vergonha”, disse Kostro.
O centro também serve como um lugar onde Fai e Kostro podem receber visitantes ilustres para conversas mais íntimas.

Embora o Bitcoin Learning Center alcance centenas de pessoas por mês por meio de eventos presenciais, ele atinge um público exponencialmente maior por meio do conteúdo que produz, e grande parte desse conteúdo é produzido nas próprias instalações.
No centro da estratégia de mídia da organização está o podcast “Bitcoin Chiang Mai”, apresentado pelo Fai.
Embora hoje tenha mais de 10.000 inscritos só no YouTube, isso nem fazia parte do plano inicial do Fai e do Kostro.
“Um dia, um participante de um dos eventos disse pro Fai: ‘Olha só, vocês estão respondendo um monte de perguntas e têm todo esse equipamento, esses microfones e câmeras — por que não começam um podcast?’”, contou o Kostro.
A ideia chamou a atenção do Fai e do Kostro. Eles começaram a trabalhar no projeto logo depois.
Eles sabiam do sucesso do podcast Rightshift, o maior podcast tailandês sobre Bitcoin do país.
Eles respeitavam o sucesso que a Righshift tinha alcançado, mas não queriam exatamente copiar a mesma estratégia.
A Rightshift fica em Bangcoc, a capital do país, e a fundadora e CEO da empresa, Piriya Sambandaraksa, é uma figura conhecida no mundo do Bitcoin desde 2014.
Bate-papo da Comunidade Fedi com Sambandaraksa, a Dea Rezkitha, Coordenadora da Comunidade do Sudeste Asiático, e o apresentador Frank Corva
Para se diferenciarem, Fai e Kostro decidiram aproveitar o fato de estarem em Chiang Mai, que fica numa região diferente do país, que atrai expatriados e muitas pessoas de fora da Tailândia.
Embora a maior parte do conteúdo do podcast “Bitcoin Chiang Mai” seja principalmente em tailandês, parte dele também está em inglês. Isso atrai ouvintes de fora da Tailândia.
“Nossa comunidade é diversificada e todo mundo é bem-vindo, e isso se reflete no podcast”, disse Fai. “Ele atrai não só tailandeses, mas também pessoas de outros países da Ásia, como nossos amigos do Japão, da Indonésia e da Malásia.”
No podcast, a Fai costuma conversar com pessoas comuns da Tailândia, em vez de grandes nomes do mundo do Bitcoin. Ela pede que elas contem suas histórias sobre o Bitcoin — relatos humanos e cheios de nuances sobre como elas passaram a entender o Bitcoin.
Dava pra perceber pelo tom de voz dela, enquanto falava sobre o podcast, que isso é algo muito importante pra ela. Além disso, apresentar o podcast permitiu que seus alunos conhecessem um outro lado dela.
“Alguns dos meus alunos de pós-graduação me mandam mensagens tipo: ‘Ei, professor Fai, você é super legal no seu podcast’”, disse Fai, todo sorridente. “Quando você tá no podcast, é outra pessoa; você é totalmente diferente de quando dá aula na sala de aula.”
Outras verticais de mídia do Bitcoin Chiang Mai incluem o Bit Health, um programa apresentado por médicos que foca nas semelhanças entre o Bitcoin e a saúde; a biblioteca do Bitcoin Learning Center, onde a equipe analisa livros sobre o Bitcoin e a economia austríaca (por exemplo, *Broken Money*, de Lyn Alden, e *Economics in One Lesson*, de Henry Hazlitt); o “Bitcoin Weekly News”, um programa que analisa as últimas novidades sobre o desenvolvimento, a adoção e as políticas relacionadas ao Bitcoin; e o “Queen B”, uma iniciativa voltada para as mulheres, com foco no Bitcoin e na educação financeira.
Essa última área de atuação é nova e algo que deixa o Fai bem animado.
“O Queen B é um programa criado pra oferecer um espaço acolhedor pra que as mulheres possam aprender sobre Bitcoin e inclusão financeira”, disse Fai.
“Nosso público é incrivelmente diversificado — temos estudantes universitários, empreendedores, mães, aposentados, donos de empresas e recebemos todo mundo de braços abertos, até mesmo quem nunca teve bitcoin”, acrescentou ela.
“Queremos empoderar as mulheres — não só as tailandesas, mas as mulheres do mundo todo —, então o programa vai ser em inglês.”
Conectando o Centro de Aprendizagem do Bitcoin às universidades
Quando o Fai e o Kostro criaram o Bitcoin Learning Center em 2022, o objetivo deles era preencher a lacuna educacional em torno do Bitcoin — ensinar o que as universidades ainda não estavam preparadas para que o Fai ensinasse naquela época.
Quatro anos depois, as universidades de Chiang Mai passaram a ver com bons olhos a ideia do Bitcoin, em grande parte graças ao trabalho que a equipe do Bitcoin Learning Center tem feito.
E a Fai não poderia estar mais orgulhosa de que dois membros da equipe do Bitcoin Learning Center, a Eve e o Neo (a quem ela chama de “líderes do Bitcoin em Chiang Mai”), agora falem sobre Bitcoin regularmente nas universidades.

Eve, falando para alunos de administração da Universidade de Chiang Mai | Foto cortesia do Bitcoin Chiang Mai
“Estou muito orgulhoso de ver esses dois alunos de pós-graduação ensinando sobre Bitcoin e educação financeira na universidade”, disse Fai. “Eles dão palestras em conferências na universidade sobre Bitcoin por causa do trabalho que fizeram.”
Kostro acrescentou que o Bitcoin Learning Center tem trabalhado com mais frequência com a Universidade de Chiang Mai e a Universidade Rajabhat de Chiang Mai, em parte porque os colegas de Fai perceberam o impacto que o Bitcoin Learning Center tem causado nos recém-formados da universidade que trabalham lá.
“Como contratamos esses alunos e porque os colegas do Fai percebem a boa vontade do Bitcoin Learning Center, começamos a trabalhar com a universidade de forma regular e agora temos uma política de portas abertas com ela”, explicou Kostro.
“A Fai acabou de me contar outro dia que marcou um seminário pra gente dar na universidade em setembro”, ele acrescentou.

Fai e membros da equipe do Bitcoin Learning Center em um seminário sobre “finanças modernas” na Universidade Rajabhat de Chiang Mai | Foto cortesia do Bitcoin Chiang Mai
“Oportunidades como essa surgiram graças ao nosso trabalho comprovado — nosso esforço constante e prático.”
Mais detalhes sobre o trabalho que a equipe do Bitcoin Learning Center faz fora do centro, na Parte III.
